domingo, 28 de fevereiro de 2010
A Hora da Liberdade
com a realidade!
Mais um turbilhão
de sensações fantásticas e voláteis
à flor da pele,
à flor do contacto,
do tacto,
do olfacto,
do olhar contido
que os sentidos vão desobrigando,
A Concupiscência sem rédeas!
Ah! Deleite de ser
sem sentir
e desmedir-se,
encontrar-se em pleno desatino,
absorta na voragem
eterna de um instante!
Ah!
Romperam-se os fios!
Finalmente o Desassombro!
Ah!
domingo, 3 de maio de 2009
Toque das Almas
E quando não respiro?
E quando nada faz sentido?
E quando tudo parece tão distante
que me trespassa a pele,
os pulmões
e a alma?
E quando o sol
que me aquece a cara
me gela o âmago?
E quando o olhar para além do horizonte
me toca?
Estremeço!
Toda eu estremeço!
Nada, ninguém,
e Eu!
e todos, e tudo!
Aqui!
Agora!
A fugaz sensação de caos
e harmonia
completamente esvaída
em partículas de pensamentos,
partículas de espaço
e de tempo,
Zero!
Infinitamente Zero!
Olho de novo,
sinto cheiros,
sons
e a brisa suave do final da tarde...
É o mundo!
Aquele que me foge,
o que me prende
e agita,
o impermanente
que me chama,
me desperta
e me devolve a mim,
Exausta!
Ainda trémula,
mas Real!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Esperança
Um turbilhão de pequenos grãos de areia
que se levantam,
Irados!
E me afogam em seu seio.
Coberta, quente, inerte!
Aqui permaneço,
Vazia,
Repleta de memórias,
momentos, instantes,
pequenos “nadas” de energia
desfeitos!
O transporte partiu!
Sem mim…
Possuir?!
A efémera sensação,
A volúpia disfarçada
em cada gesto,
O negro manto que nos protege,
deixando-nos à mercê
da permanente impermanência
que nos acompanha
em cada dia,
silenciosa e impiedosa!
O doce sabor de tudo o que é incerto
abriga os pensamentos
e a certeza
de que amanhã
não voltarei aqui!
Onde a mancha
se desfaz,
impregando-se em tudo,
esgueirando-se
até à próxima estação…
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Vida
Uma ou mil?
As certas!
As que,
neste instante,
descrevem a intenção
que dá continuidade ao despertar,
repetido por cada gesto simples e puro,
pela partilha de um sonho
e a busca incessante de mais!
Mais um sorriso,
mais um abraço,
mais um Sim!
O Sim à Vida!
Aquela que vos concede
a magnificência de cada dia,
que vos afaga em silêncio
e vos presenteia,
entre o sol e a lua,
com afectos
e “coisas”,
com ou sem o disfarce
que o romantismo lhes confere
e, contudo,
importantes e únicas!...
Alimento para a Alma!
Palavras
o raiar dos sentidos!...
A Ternura contida
naquela primeira
e, porventura,
mal pronunciada
que vos iluminou os rostos!...
Abrindo os braços ao futuro,
nutris o Amor
que vos abarca
e refresca
de cada vez que a alegria se esconde
e assim,
Plenos,
continuais a voar!
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Trekker
Incessantemente!
passo a passo,
cada pedra vai ficando para trás.
passo a passo,
cada recordação se esmorece.
passo a passo,
cada árvore,
com seus galhos quase esvoaçando,
permanece.
Pedra a pedra,
cada pedaço de terra cede.
Marcando o ritmo,
cada paisagem se estende
e me abraça,
entrelaçando a sua magnificência
com o meu pensamento.
Pé ante pé,
cada essência que passa
me devolve um sentido,
e o vento que com elas dança,
a mim acaricia,
sussurrando-me ao ouvido
secreto,
segredo,
impronunciável!
Olhos, pés,
essencialmente Eu!
essencialmente o Trilho!
Passa, passo,
pedra, espaço,
essencialmente o Trilho!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Maresia
Bebo da tua sede,
enfeitiçada pela tua voz
e pelos suaves movimentos
que deixas fluir,
Absorvo-te!
Incorporas-me,
deixando apenas
entrever-se uma réstia
de mim
e de ti,
daquilo que fomos
e que nos dá agora as asas
para o que viremos a ser...
Embebida em ti,
escuto somente o agora!
Desataviada do mundo...
E tocam as pedras da calçada
essa melodia que ecoa
nas ruas coloridas
que percorro,
Passando sempre naquela
que está paralelamente colocada
na direcção da tua...
Cheiro a brisa matinal
do mar,
que nos cinge com seus braços
e espero pelo teu beijo,
que suba pela muralha
que o refreia!
Finalmente a curva causa o cruzamento
e Respiro-te!
terça-feira, 17 de junho de 2008
Circu(lo)
Não digas um Sim então.
Não traves o Nim!
Falas de mim?
Falas para mim?
Finges não ser o fim!
Tropeças na verdade,
mostrando a descarada mentira,
Cais na saliva dessa impotência,
Trepas ao cume da imperfeição
e libertas o conto.
O Contador não é Poeta,
é Ilusionista.
O Contador não tem cartola
e já perdeu a boina.
Não dispas já o palhaço!
Não lhe tires o sorriso!
Que as palavras já não têm significado
e o tropeço já não faz rir.
Olha para o público!
Onde está?