segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vida

Palavras
Uma ou mil?
As certas!
As que,
neste instante,
descrevem a intenção
que dá continuidade ao despertar,
repetido por cada gesto simples e puro,
pela partilha de um sonho
e a busca incessante de mais!
Mais um sorriso,
mais um abraço,
mais um Sim!
O Sim à Vida!
Aquela que vos concede
a magnificência de cada dia,
que vos afaga em silêncio
e vos presenteia,
entre o sol e a lua,
com afectos
e “coisas”,
com ou sem o disfarce
que o romantismo lhes confere
e, contudo,
importantes e únicas!...
Alimento para a Alma!
Palavras
o raiar dos sentidos!...
A Ternura contida
naquela primeira
e, porventura,
mal pronunciada
que vos iluminou os rostos!...

Abrindo os braços ao futuro,
nutris o Amor
que vos abarca
e refresca
de cada vez que a alegria se esconde
e assim,
Plenos,
continuais a voar!


(poema dedicado pelo casamento de uma amiga)


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Trekker

Trilho trilhos
Incessantemente!
passo a passo,
cada pedra vai ficando para trás.
passo a passo,
cada recordação se esmorece.
passo a passo,
cada árvore,
com seus galhos quase esvoaçando,
permanece.
Pedra a pedra,
cada pedaço de terra cede.
Marcando o ritmo,
cada paisagem se estende
e me abraça,
entrelaçando a sua magnificência
com o meu pensamento.
Pé ante pé,
cada essência que passa
me devolve um sentido,
e o vento que com elas dança,
a mim acaricia,
sussurrando-me ao ouvido
secreto,
segredo,
impronunciável!

Olhos, pés,
essencialmente Eu!
essencialmente o Trilho!

Passa, passo,
pedra, espaço,
essencialmente o Trilho!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Maresia

Embalo ao som de um olhar...
Bebo da tua sede,
enfeitiçada pela tua voz
e pelos suaves movimentos
que deixas fluir,
Absorvo-te!
Incorporas-me,
deixando apenas
entrever-se uma réstia
de mim
e de ti,
daquilo que fomos
e que nos dá agora as asas
para o que viremos a ser...

Embebida em ti,
escuto somente o agora!
Desataviada do mundo...

E tocam as pedras da calçada
essa melodia que ecoa
nas ruas coloridas
que percorro,
Passando sempre naquela
que está paralelamente colocada
na direcção da tua...

Cheiro a brisa matinal
do mar,
que nos cinge com seus braços
e espero pelo teu beijo,
que suba pela muralha
que o refreia!

Finalmente a curva causa o cruzamento
e Respiro-te!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Circu(lo)

Não ergas um Não assim.
Não digas um Sim então.
Não traves o Nim!


Falas de mim?
Falas para mim?
Finges não ser o fim!

Tropeças na verdade,
mostrando a descarada mentira,
Cais na saliva dessa impotência,
Trepas ao cume da imperfeição
e libertas o conto.

O Contador não é Poeta,
é Ilusionista.
O Contador não tem cartola
e já perdeu a boina.

Não dispas já o palhaço!
Não lhe tires o sorriso!
Que as palavras já não têm significado
e o tropeço já não faz rir.

Olha para o público!
Onde está?

sábado, 19 de abril de 2008

Amanhã

Fechou-se a porta!
Abriu-se o pano
e a Lua Brincou.
A luz que restava penetrou
a negra imensidão do céu
e as memórias percorreram esse enorme vazio,
as palavras preencheram a Via Láctea
e a partilha fluiu...
Entrelaçamos olhares,
pensamentos
e histórias
E percorremos o Universo
com um abraço.
O sabor da noite
transportou-nos à concretização da viagem
e voltamos a beber-nos.
O âmago da tua vida,
a essência do meu ser,
a troca,
a união,
a "fervilhação" do desejo
e a certeza das sensações
enredaram-se
entranhando-se em nossos corpos,
Dançamos com o cosmos
e a vida ganhou um novo sentido!

Amanhã não haverá lua,
mas a viagem continua...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"Conception of myself"

Quero sonhar!
Deixas-me Assim,
Descontrolada!
Quero sonhar,
Não acordada,
Apenas sonhar!
Quero Ter-te
aqui,
Sentir o prazer
do toque
e do sabor,
a envolvência,
a recusa,
a culpa de ter,
a suavidade da concretização,
o cheiro que me guia,
o não poder afastar-me agora
no Momento em que me acalmo
e Durmo...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Uma Melodia

A música tocava assim
mais uma vez!
e mais essa vez chorei...
Não te vi.
Não vieste.
Ficaste escondido
Mais uma vez...

Agora, sozinha,
calma e desencorajada,
deixo-te vir, dizer,
querer...
Mas não te vejo,
não te sinto.
sou eu quem não está!

E a música toca baixinho
Ali,
onde a minha alma dói,
onde adormeço o coração
e engano os acordes...
que não pararam,
que não quero ouvir,
que afasto para que não me toquem.

E a névoa transforma-se em vento
e leva os sonhos que sonhei,
os lábios que beijei,
o doce toque da tua voz
e a melíflua melodia
que já não me embala
que me trespassa
com suas notas afiadas
e me deixa à mercê
dos meus desejos
onde, tranquilamente,
me perco
no teu sorriso,
na doçura do teu olhar
puro e natural,
na loucura energética
que te dá vida
e me envolve...

Aqui vem!
Ouves?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Tempo

Tudo levas,
tudo trazes,
tudo tiras
e tudo dás

E a alma chora porque passas
e grita porque te vais
porque ficas e porque existes.
Amado, excomungado,
desejado, amaldiçoado,
Desesperante e ainda assim,
Eterno!

Aquele que sendo efémero
Permanece,
Nos rouba e nos enriquece
com presentes do passado
que o futuro guardará...
As pessoas, os momentos,
A vida!

E o mundo gira,
O vento sopra...
Nasce uma criança!
Um choro,
Um riso,
O doce perfume do tempo...